A PREOCUPAÇÃO E SEUS IMPACTOS NA VIDA DAS PESSOAS

Entenda a preocupação, seus impactos na saúde física e mental, e descubra estratégias para gerenciá-la e viver com mais equilíbrio e bem-estar.

10/16/20255 min read

Por que a preocupação existe?

A preocupação é, sem dúvida, um dos maiores males da humanidade. Também conhecida como angústia, ela pode ser considerada a filha favorita do medo, já que surge, geralmente, a partir de pelo menos um dos seis medos universais (tema abordado em nosso artigo sobre o medo).

Sua origem pode estar relacionada a traumas que ficaram registrados na mente, a níveis elevados de estresse ou, ainda, à influência de pessoas próximas, cujos hábitos tóxicos impactam diretamente nosso comportamento. O hábito de se comparar com os outros, por exemplo, pode gerar um sentimento de inferioridade, que também serve de gatilho para o surgimento da preocupação.

No entanto, quando bem compreendida e utilizada da forma correta, a preocupação pode ser bastante útil. Ela pode funcionar como um sinal de alerta diante de possíveis riscos, permitindo que tomemos decisões mais conscientes e preventivas, evitando problemas futuros.

O desafio está em transformar essa emoção em uma aliada. Infelizmente, a maioria das pessoas não consegue fazer esse movimento e acaba sofrendo com os efeitos da preocupação excessiva.

Neste artigo, vamos entender melhor como esse sentimento pode afetar negativamente a saúde física e mental, além de apresentar estratégias para gerenciá-lo de forma mais saudável e produtiva.

Os Males Físicos da Preocupação

A preocupação pode causar impactos significativos no corpo humano, sendo o sistema digestivo uma das áreas mais afetadas. Problemas intestinais, gastrite e até mesmo úlceras são comuns em pessoas que sofrem de preocupação crônica. Mesmo que o indivíduo mantenha uma alimentação saudável, hidrate-se corretamente e pratique atividades físicas regularmente, o estado constante de preocupação pode desencadear diversos distúrbios digestivos.

Além disso, a preocupação prolongada está associada ao surgimento de distúrbios cardiovasculares, dores de cabeça tensionais e enfraquecimento do sistema imunológico. O aumento da pressão arterial, por exemplo, é uma resposta comum ao estresse gerado por preocupações contínuas.

Esse processo ocorre porque a preocupação ativa a liberação de grandes quantidades de hormônios como o cortisol — liberado em situações de estresse para preparar o corpo e disponibilizar energia — e a adrenalina, que eleva a frequência cardíaca.

É importante destacar que, em doses controladas, esses hormônios exercem funções protetoras no organismo. No entanto, quando liberados em excesso devido à preocupação constante, eles passam a ter efeitos nocivos, causando prejuízos tanto físicos quanto psicológicos.

Consequências Psicológicas da Preocupação

Além dos efeitos físicos, a preocupação também impacta significativamente a saúde mental. Indivíduos que se preocupam de forma excessiva tendem a apresentar altos níveis de ansiedade. Essa condição pode desencadear um ciclo vicioso, no qual a preocupação alimenta a ansiedade, que por sua vez intensifica ainda mais a preocupação.

O estresse contínuo gerado por esse estado pode causar distúrbios do sono, dificultando o funcionamento adequado do cérebro durante o dia. Com isso, o corpo permanece em constante estado de alerta, o que contribui para o aumento da irritabilidade, podendo evoluir para um esgotamento mental e emocional.

A depressão também se torna um risco iminente. Além de possíveis traumas já instalados no inconsciente, o medo constante em relação ao futuro pode fazer a mente "viajar" ao passado, resgatando memórias mal processadas ou sem clareza de significado. Essas lembranças, quando interpretadas de forma distorcida, contribuem ainda mais para o sofrimento psicológico.

Outro sintoma comum da preocupação crônica é o desânimo. Para aliviar esse e outros desconfortos emocionais, o organismo pode desenvolver mecanismos de fuga que, na maioria das vezes, são prejudiciais à saúde. Entre eles, estão o consumo excessivo de álcool, a ingestão compulsiva de alimentos gordurosos ou açucarados, o uso de substâncias ilícitas e a permanência em relacionamentos tóxicos.

Maneiras de lidar com a preocupação

Além de utilizar a preocupação de forma positiva — transformando-a em um sinal de alerta para agir diante de obstáculos — existem outras estratégias eficazes para lidar com esse sentimento:

✅ Crie o "momento da preocupação"

Reserve um momento do dia ou da semana para refletir sobre o que está te preocupando. Anote tudo em um caderno, classificando cada item como:

  • Preocupação produtiva: depende de você para ser resolvida.

  • Preocupação improdutiva: está fora do seu controle.

Depois disso, identifique o motivo de cada preocupação e registre possíveis soluções. Esse exercício ajuda a organizar os pensamentos e enxergar com mais clareza o que pode ou não ser feito.

✅ Busque conselhos de pessoas com resultados positivos

Se você está preocupado, por exemplo, com uma dívida, faz sentido pedir conselhos a alguém que também está endividado ou desorganizado financeiramente? Certamente não. O ideal é procurar orientação com pessoas que demonstram equilíbrio e bons resultados na área em que você enfrenta dificuldades. Caso não conheça alguém pessoalmente, as redes sociais oferecem acesso a muitos especialistas com dicas valiosas.

✅ Foque nas soluções — e tenha fé nelas

Uma vez que você criou soluções possíveis, concentre sua energia nelas e não mais na preocupação. Alimentar o pensamento negativo só amplia o problema. O foco deve estar na ação e na confiança de que é possível resolver a situação.

✅ Cuide do corpo

Atividades físicas, técnicas de respiração, meditação, boa alimentação e hidratação são fundamentais. Esses cuidados ajudam o corpo a reduzir os níveis de estresse e ansiedade causados pela preocupação.

✅ Tenha “distrações” saudáveis

Incorpore atividades que tragam bem-estar mental e emocional. Ler um bom livro, assistir a um filme ou documentário, conversar com alguém que você gosta ou praticar um hobby são formas de ocupar a mente com experiências positivas.

Utilizando essas práticas, é possível reduzir os impactos negativos da preocupação e até transformá-la em um estímulo para o crescimento pessoal. No entanto, caso você perceba que a preocupação está fora de controle e afetando sua qualidade de vida, não hesite em buscar ajuda profissional. Um terapeuta pode oferecer suporte especializado para lidar com essas questões de forma mais profunda e eficaz.

Resumindo: É possível eliminar a preocupação?

A resposta é: não. A preocupação é uma resposta emocional natural do organismo diante de situações incertas ou desafiadoras. No entanto, quando deixamos que ela tome proporções maiores do que a realidade exige, ela deixa de ser um mecanismo de proteção e passa a se tornar um peso — silencioso, mas devastador.

Como vimos, não se trata de eliminar a preocupação, pois ela é inerente à nossa natureza emocional. O verdadeiro desafio está em reconhecer quando ela deixa de ser útil e começa a nos paralisar. Saber diferenciar o que está sob nosso controle do que não está, buscar apoio, cultivar hábitos saudáveis e manter a mente focada em soluções são atitudes que fazem toda a diferença.

Vivemos em uma era de excesso de estímulos, comparações e incertezas — por isso, mais do que nunca, precisamos aprender a gerenciar nossas emoções de forma inteligente e compassiva. A preocupação, quando bem administrada, pode nos impulsionar a crescer. Mas, quando ignorada ou mal interpretada, pode nos adoecer por dentro.

Se você sente que a preocupação tem dominado seus dias, lembre-se: pedir ajuda não é sinal de fraqueza, mas de coragem. Cuidar da mente é tão importante quanto cuidar do corpo.

Que este artigo sirva como referência para uma vida mais tranquila.